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NUTROLOGIA ORTOMOLECULAR E O TRATAMENTO DO CÂNCER

Muitas pessoas nos perguntam o que a abordagem ortomolecular pode fazer pelos pacientes com câncer. A explicação não é tão simples, mas tentaremos expô-la em uma linguagem acessível.

Em primeiro lugar conceituemos o que é uma neoplasia.

Consiste na proliferação anormal de alguma célula ou tecido do corpo, com a capacidade de invadir tecidos vizinhos ou se espalhar para outros órgãos.

A causa desta perda do controle no crescimento celular ocorre por alteração do ADN (Ácido Desoxirribo Nucleico) que codifica o genoma celular. O ADN modula a função e o crescimento celular, a sua proliferação e sua apoptose.

Apoptose consiste na morte celular programada, cada célula, de cada tecido, tem um tempo de vida determinado geneticamente, findo este prazo a célula morre e dá lugar a outra. Quando a apoptose não ocorre a célula se multiplica descontroladamente, dando origem a um crescimento tumoral.

Estamos o tempo todo produzindo alguma célula anormal, potencialmente oncogênica (que pode desenvolver o câncer), porém o nosso sistema imunológico está continuamente a caça destas células anormais para eliminá-las. Quando não consegue extirpá-las, porque se reproduzem muito rapidamente ou por alguma deficiência imunológica é que o câncer aparece.

A maioria das pessoas sabe que a prática ortomolecular envolve o conhecimento do metabolismo e da modulação dos radicais livres, entre outras funções bioquímicas celulares.

O conceito físico-químico de radical livre é complexo.

Simplificando, radicais livres são substâncias, oriundas do metabolismo celular, fisiológicas (naturais e necessárias) ou induzidas por fatores exógenos (ferimentos, infecções, intoxicações, radiações, etc.). Têm vida curta, mas são extremamente reagentes e, quando não são prontamente inativadas, reagem, imediatamente, com as estruturas celulares vizinhas ao local da sua produção, lesando-as, transformando-as ou destruindo-as.

Torna-se obrigatório lembrar que os diversos tipos de radicais livres não são intrinsecamente nocivos, sem eles não haveria a vida, são essenciais para a digestão dos alimentos, a estruturação do corpo, o fornecimente de energia, e como parte indispensável do funcionamento mitocondrial. O problema é quando extrapolam as suas funções, vazando de seus locais de ação.

Atendo-nos a essa premissa, consideraremos que o radical livre hidroxila (OH°) é o menor dos carcinógenos (substância que causa câncer), pela sua ação oxidante sobre as proteínas, levando a  disfunções enzimáticas (distúrbios de funcionamento celular), alterações estruturais da célula e mutação do ADN (alteração genética).

Outros produtos originados da ação dos radicais livres sobre as membranas e organelas celulares também apresentam ação carcinogênica direta.

A liberação de radicais livres, pela ativação leucocitária (processo fisiológico, natural), também explica o aparecimento do câncer nos órgãos que sofrem inflamação crônica (persistente), como, por exemplo, o câncer de pulmão e bexiga nos fumantes crônicos.

Sabemos também que as células tumorais são carentes em enzimas necessárias para o controle dos radicais livres, sendo, portanto, mais suscetíveis do que as células normais a estes mesmos radicais.

Os quimioterápicos, utilizados para o tratamento oncológico, produzem radicais livres, e o seu uso está fundamentado, exatamente, nessa produção de radicais livres e na suscetibilidade preferencial das células cancerosas aos radicais livres.

Baseadas neste mesmo princípio (a produção controlada de radicais livres) é que são empregadas, também, a radioterapia, a câmara hiperbárica e a hipertermia. 

Estabelecidos estes conceitos básicos, podemos entender como a medicina ortomolecular ajuda no tratamento do câncer:

Em primeiro lugar, cuidando para que não faltem nutrientes às células normais, para se defenderem dos radicais livres produzidos pelas células cancerosas e também induzidos pelo tratamento oncológico, impedindo o avanço e a infiltração do câncer.

Em segundo lugar, otimizando, através da administração de nutrientes e substâncias ativas, a ação do sistema imunológico, para que defenda o organismo e detenha a progressão do câncer.

Em um terceiro tempo, auxiliando o tratamento do oncologista (médico que trata o câncer), aumentando ou diminuindo produção de radicais livres, conforme a necessidade, a fim de se obter um resultado mais efetivo da quimioterapia, radioterapia ou outro método de tratamento que se venha a utilizar.

Em quarto lugar, protegendo as células sãs da ação destes mesmos radicais livres, liberados pela terapêutica oncológica, que atacarão o tumor. O que se nota pela diminuição dos efeitos colaterais dos quimio e radioterápicos.

Alguns oncologistas se aproveitam desta proteção para poderem aumentar a dose terapêutica dos antineoplásicos, quando necessário.

Em quinto lugar, promovendo a desintoxicação do organismo pelos produtos da morte tumoral e pelas substâncias resultantes do metabolismo dos quimioterápicos, que poderiam lesar o fígado e o coração, entre outros órgãos.

Em sexto, e não em último lugar, também são abrandadas, e mais rapidamente reparadas, as queimaduras do tubo digestivo, provocadas pela quimio-radioterapia, evitando-se, desse modo, o depauperamento do paciente pelo desconforto no comer e pela má absorção dos alimentos.

Ainda, através de orientações dietéticas, podemos evitar a caquexia (desnutrição) e até mesmo melhorar as condições nutricionais do paciente canceroso.

Imprescindível, também, são o estímulo emocional, psicológico e espiritual do paciente, para que vença o câncer, direcionando-o ao modo correto de pensar, sentir e agir. Neste aspecto consideramos, inclusive, a orientação familiar no seu relacionamento com o paciente e entre si, pois o câncer torna-se, também, uma doença familiar, quando não, social e espiritual.

É necessário acentuar que a orientação nutrológica ortomolecular é sempre individual, personalizada a cada paciente, dependendo da sua patologia e de suas condições físicas, nutricionais e do tratamento a que será submetido. São imprescindívies a consulta médica, a análise metabólica e toxicológica prévias ao tratamento, além dos exames complementares habituais.

Conhecimentos médicos adicionais podem ser obtidos em nosso livro, referendado como bibliografia.

BIBLIOGRAFIA:

Curto, Miguel   –  Medicina Ortomolecular – Fundamentos e Prática  –  2ª Edição  –  Editora Atheneu, São Paulo, SP  –  2022.

Centro de Qualidade de Vida Vinhedo

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